Os indianos dão muita importância para as combinações astrológicas na hora de escolher seus parceiros. No casamento, não é diferente. O dote da noiva é a sua herança, e pelo menos 1600 g de ouro são necessários para assegurar a noiva um bom casamento, na classe média. Praticamente não há casamentos fora da religião da família. Os pais usam astrologia e uma ampla pesquisa da família do potencial cônjuge para escolher criteriosamente o futuro marido, ou esposa. Uma boa parte da família não dá opção aos filhos de não aceitarem o par escolhido, o que gera alguns problemas. Existe um movimento de NGOs de mulheres contra a prática do dote, apoiada por parte da mídia.
Hoje, uma atividade foi cancelada pois a filha do rotariano encarregado da atividade cometeu suicídio. Tais casos estão ficando comuns na Índia, mas para os indianos, o diagnóstico, para nós ocidentais, causa estranhamento: para eles, o casal ( a filha do rotariano estava envolvida com um rapaz da mesma universidade, que também se matou) não teve força para controlar os sentimentos, e é isso que está errado. O fato do casal resolver se suicidar pelo fato dos pais não aprovarem a união entre eles não é visto com o menor romantismo; para os indianos, o casal simplesmente "era muito jovem para saber o que queria" (19 e 21 anos, mas para os indianos, "não saber", significa "não aceitar"). Os pais, na Índia, tem um papel não apenas formador: a tutela continua muitas vezes anos após o casamento. Os filhos, em geral, acreditam que farão os pais felizes aceitando o noivo ou noiva indicada, e é isso o que para eles importa. Não se sentem seguros para resolver por conta própria com quem irão casar.
William, empresário inglês radicado em Kerala, me relata algumas situações interessantes: funcionários que pedem aumento porque precisam se casar (muitas vezes de acordo com o mapa astral) e desta forma, com um salário maior, o dote da futura noiva será igualmente maior; funcionárias que após anos de investimento por parte da empresa largam tudo porque os pais decidem que ela tem que se casar e não pega bem ela estar trabalhando, mesmo que seja bastante talentosa; empréstimos para comprar ou avalizar propriedades para fins puramente demonstrativos no currículo do futuro noivo; funcionários que aprendem a função e em seguida partem para o exterior para ganhar mais. Assim, as relações de trabalho também são afetadas pela cultura do casamento ideal: ao mesmo tempo, famílias anunciam no jornal que: a filha, de tantos anos, com doutorado, etc, cujo pai tem tal e tal graduação, cujo irmão trabalha em tal lugar e ganha X, cujo tio é político importante, que pertence à tal religião e tais e tais propriedades, procura marido de tal altura, tal cor de pele, que seja compatível ou tenha renda superior à X. Por compatível, supõe-se que: tenha a mesma religião, que venha exatamente a atender ao “sonho de consumo” ( neste caso literal!) da família e é lógico, da mesma casta, pois isso não precisa ser dito, está no sobrenome...
O que se verifica, assim, é que o casamento, ao contrário do ocidente, não é veículo de mobilidade social. A instituição serve para que as famílias consigam acumular bens e capital, e ao mesmo tempo, preservar a “casa”. A “casa” é o nome não dito, melhor dizendo, o nome da casa ancestral que se apóia na preservação das tradições religiosas e culturais dos grupos, ou porque não dizer, dos clãs que tentam se manter no domínio econômico e político na Índia.
Apesar de tudo, ainda prefiro o casamental OCIDENTAL....
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